Mangueira é a campeã do carnaval carioca
A escola, que levou para a avenida a história de Maria Bethânia, brigou pelo título até o último quesito
RIO - Numa disputa muito acirrada, definida apenas no último quesito - alegorias e adereços -, a Mangueira foi eleita a grande campeã do Grupo Especial do carnaval carioca. Com o enredo "Maria Bethânia, a menina dos olhos de oya", a escola leva seu 19º campeonato, com 269.8 pontos. Em segundo lugar ficou a Unidos da Tijuca (269,7) e, em terceiro, a Portela (269.7). A Estácio, com 265 pontos, não conseguiu se manter no Grupo Especial e, ano que vem, voltará à Série A.
A apuração do desfile do Grupo Especial começou às 17h no Sambódromo, mobilizando torcedores que foram à Marquês de Sapucaí e às quadras. A do Salgueiro, que até quase o final da leitura das notas tinha a maior pontuação, mas terminou a disputa em quarto lugar (269.5) ficou tomada por torcedores desde o início da tarde, vestidos de vermelho e branco. Eles acompanharam os resultados por meio de um telão. As notas 10 para a agremiação eram recebidas com muito entusiasmo, assim como os décimos perdidos pelas grandes concorrentes, como Beija-Flor, Unidos da Tijuca e Portela. A todo momento gritavam "Eu acredito" e cantavam o samba-enredo.
Na quadra da Mangueira, no início da apuração ainda havia poucos torcedores. Mas, a cada nota dez recebida, mais pessoas chegavam ao local, que pouco antes do anúncio do resultado já estava lotada e com torcedores otimistas gritando: "É campeã". A explosão de alegria após a abertura de todos os envelopes foi inevitável.
Até a apuração do terceiro quesito (comissão de frente), apenas o Salgueiro colecionava somente notas dez. O resultado parcial era motivo de euforia na quadra, onde o ar-condicionado não dava vazão. Diante do calorão, as pessoas usavam um leque de papel entregue na entrada da quadra. Com três notas dez, o casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação, aos prantos, ficou de joelhos no Sambódromo, protagonizando umas cenas mais emocionates da avenida, durante a apuração.
Em Nilópolis, torcedores da Beija-Flor que foram à quadra ficaram decepcionados com as notas baixas dadas por jurados. Mas isso não impedia a comemoração a cada dez recebido. Os pontos perdidos por outras favoritas ao titulo, especialmente Portela e Mangueira, também eram motivo de gritos. Na avenida, Roberto Maia, segurança da rainha de bateria da escola, Raíssa Oliveira, pensava positivo:
- Vamos levantar a cabeça e seguir em frente.
Diogo Rosas, um dos compositores do samba da Beija-Flor, não chegou a ficar abalado com o 9.9 recebido no quesito samba-enredo:
- Temos certeza que fizemos um grande trabalho. Na Sapucaí, ele foi cantado de ponta a ponta. O refrão é a cara da escola: "Sou Beija-Flor na alegria ou na dor".
Os torcedores da Portela passaram por momentos de tensão logo no começo da apuração, após a escola perder pontos em enredo e comissão de frente. Insatisfeitos, eles xingaram muito os jurados que não deram nota máxima para a agremiação. No terceiro quesito, fantasia, com três dez, a azul e branca de madureira voltou a ficar em primeiro lugar, ao lado do Salgueiro, levando a torcida a gritar "o campeão voltou".
A Unidos da Tijuca, que chegou a disputar a liderança com Salgueiro e Mangueira, perdeu ponto na reta final, mas os dirigentes não desanimaram e ainda acreditavam em recuperaçao:
- Faltam dois quesitos, vamos recuperar ainda - dizia Jose Angelo Goulart, um dos colaboradores da escola.
Presidente da Tijuca, Fernando Horta foi direto ao comentar o 9.9 em evolução:
- Sacanagem.
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