Motoristas obrigam casal a descer de carro do Uber e a entrar em táxi no DF
Grupo cercou motorista do aplicativo e impediu que ele seguisse viagem.
Cerca de 1,5 mil veículos participaram de ato contra app nesta segunda.
Federal obrigaram um casal de passageiros a desembarcar de um carro do aplicativo Uber e a entrar em um táxi durante uma carreata realizada na manhã desta segunda-feira (3) entre o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek e a área central da capital do país.
As imagens mostram que os taxistas cercaram o motorista do Uber e impediram a viagem. O grupo ainda ameaçou quebrar o carro se o casal não saísse. "Se não descer nós vamos quebrar o carro. É melhor você descer. Olha a manifestação, quantos carros têm. Pode descer, senão vai quebrar o carro", diz alguém durante a gravação.Após os passageiros saírem do veículo, os taxistas questionaram o motorista do Uber se ele tinha autorização para rodar. Depois, o casal foi obrigado a pegar um táxi, e o motorista do app ainda teve que colocar as malas dos dois no veículo de um taxista.
O G1 ligou três vezes para a presidente do Sindicato dos Taxistas, Maria do Bonfim, e não conseguiu contato. A secretária dela informou que Maria estava em reunião. A reportagem falou com a assessoria de imprensa do Uber, mas não obteve um posicionamento sobre o caso até a publicação desta reportagem.
A organização do protesto afirmou que entre 1,5 mil e 2 mil taxistas participaram do ato nesta segunda. Os taxistas querem que o governador Rodrigo Rollemberg sancione projeto aprovado na Câmara que veta serviços de transporte individual de passageiros por meio de aplicativos como o Uber.
Além dos motoristas de Brasília, havia na manifestação taxistas de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, que vieram à capital prestar solidariedade à categoria no DF. Um dos organizadores da carreata, o taxista Marcos Alves disse que a renda da categoria caiu em torno de 50% depois do Uber e outros aplicativos.
No início da tarde, uma comissão de dez taxistas foi recebida pelo secretário de Mobilidade, Carlos Tomé. O secretário disse ao grupo que iria "intensificar a fiscalização" sobre o uso do aplicativo na capital até que haja uma "decisão final" sobre a legalidade do serviço.
Projeto de lei
O governador tem até esta quinta (6) para sancionar ou vetar o projeto do deputado Rodrigo Delmasso (PTN) que restringe o uso do aplicativo apenas para os taxistas com cadastro na Secretaria de Mobilidade. Se o governo não se posicionar, o texto volta para a Câmara e pode ser promulgado pela Mesa Diretora.
Em nota emitida no começo do mês, o Uber informou que continua operando normalmente em Brasília, já que a lei ainda não foi sancionada. Os representantes do app dizem defender o "direito de escolha" dos usuários.
A Ordem dos Advogados do Brasil enviou parecer a Rollemberg recomendando veto ao projeto de lei que proíbe o uso de aplicativos de táxi pago. No ofício, o presidente da entidade, Ibanez Rocha, afirma que a proposta fere uma série de princípios constitucionais, como os da livre iniciativa, da liberdade de exercício de qualquer profissão e da livre concorrência.