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Jovem que acusou padre de abuso sexual teria mentido e escrito carta pedindo perdão

(Foto: reprodução)
Promessa de dinheiro fácil e influência de terceiros seriam os motivos para que um jovem tivesse feito uma falsa denúncia de abuso sexual contra o padre Jaildo Souto, que atuava em Pitimbu, no Litoral Sul paraibano. O suposto crime teria ocorrido em 2008, época em que o jovem, atualmente com 22 anos, era menor de idade. Em carta divulgada nesta segunda-feira (19), com assinatura do jovem, ele assume que mentiu e o padre seria inocente.
Na carta, o rapaz relata que de livre e espontânea vontade quer se corrigir no que disse na delegacia de Pitimbu e solicitar o encerramento do caso.
“Fui motivado por políticos e advogados, que mim (sic) prometeram muito dinheiro. Não houve nada entre a gente (ele e o padre)”, contou o jovem em um dos trechos da carta.
Em outra parte da carta, o jovem pede perdão ao padre pelo sofrimento causado e se desculpa com outras pessoas.
“Eu sei que o caso trouxe sofrimento demais na vida do padre Jaildo e das pessoas próximas dele, do mesmo jeito acontece na minha vida, por isso peço perdão a todos que fiz sofrer”, afirmou o jovem.
Delegado confirma recebimento da carta
Em contato com o Portal Correio, o delegado Luciano Cavalcante, da Polícia Civil em Pitimbu, confirmou que recebeu a carta através de um amigo do jovem que acusava o padre do crime.
Segundo o delegado, a carta foi enviada ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) para que o material seja analisado e seja emitido um parecer sobre o caso.
“Recebemos uma cópia da carta através de um amigo do jovem que acusava o padre. O documento oficial, escrito pelo jovem, não nos foi apresentado. O amigo relata que o jovem tomou a decisão de contar a verdade já que estaria arrependido. Enviamos os papéis para o Ministério Público e estamos aguardando um posicionamento para dar prosseguimento ao caso”, disse o delegado.
Ainda segundo o delegado, o amigo do jovem disse saber que a mãe do rapaz seria uma das pessoas responsáveis pela falsa denúncia contra o padre.
“O rapaz não colocou em depoimento, mas disse que a mãe do jovem é uma das pessoas que o influenciaram a denunciar o padre. Além dela, políticos e outras pessoas estariam envolvidos, já que o padre tinha atuação dentro da comunidade e essas pessoas que teriam motivado a falsa denúncia estariam interessadas em afastar o padre de Pitimbu para “facilitar”o acesso com a população”, contou o delegado.
Advogada do padre relata depressão
Laura Almeida, advogada do padre Jaildo, relatou ao Portal Correio que o religioso passa por momentos difíceis desde que foi acusado pelo jovem e afastado da Igreja.
“Sempre vínhamos alegando que ele não tinha envolvimento com o jovem e o fato era baseado em perseguição política, pelo fato do padre sempre estar envolvido com a comunidade da região. O fato foi inventado e atribuído falsamente ao padre. O padre teve a imagem destruída pela falsa acusação e passou por momentos difíceis, com uma depressão profunda e em tratamento”, contou Laura.
Para a advogada, a inocência do padre vai ser comprovada e ele se sente esperançoso de poder voltar à comunidade, celebrando missas e trabalhando junto aos jovens.
“O padre está na Paraíba. Ele se dispõem a voltar na delegacia e encerrar o caso. O sonho dele é de poder retornar para Pitimbu e retomar a celebração de missas, o trabalho voltado para a comunidade e aos jovens. Ele quer voltar para o local onde foi tão bem acolhido, mas injustamente afastado”, concluiu a advogada.
Igreja vai aguardar conclusão do processo
Em contato com a assessoria de imprensa da Arquidiocese da Paraíba, o Portal Correio foi informado que a posição da Igreja é de aguardar a conclusão do processo no MPPB e na Polícia Civil para ver o que vai acontecer com o padre Jaildo.
Ainda segundo a assessoria, caso o padre volte a receber autorização para atuar, poderá não fazer mais parte da comunidade religiosa em Pitimbu.
“Desde que surgiram as denúncias o referido padre foi afastados das funções eclesiais, até para facilitar o processo de defesa dele. É isso que continua no momento, ele ainda segue afastado das funções até que o processo acabe. Vamos aguardar as análises internas, da Igreja, e do MPPB. Mesmo tendo de volta as funções, o padre poderá não retornar para Pitimbu e exercer a função em outra localidade”, disse a assessoria da Arquidiocese.
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